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CINEMA BRASILEIRO .:. A BELA ÉPOCA

A chegada do cinema ao Brasil deu-se em 8 de julho de 1896, com a inauguração de um omniographo (variação do cinematógrafo dos irmãos Lumière) na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Os historiadores divergem quanto às primeiras filmagens feitas no Brasil. A versão que aponta o pioneirismo do registro da Baía de Guanabara pelo italiano Afonso Segreto, em 19 de junho de 1898, foi contestada pelos pesquisadores Jorge Capellaro e Paulo Roberto Ferreira, que encontraram evidências da exibição, em maio de 1897, de filmetes realizados no Brasil e exibidos em Petrópolis, com tecnologia do Cinematógrafo Edison.

A atividade progrediu sobretudo pelas iniciativas de Pascoal Segreto, apelidado "ministro das diversões", que produzia filmes de atualidades, abordando eventos cívicos e populares, obras urbanísticas, casos policiais etc, exibidos como complementos de espetáculos de rua. O cinematógrafo consolidou-se por volta de 1907, enquanto o ano de 1908 marcaria o início da primeira fase áurea do cinema brasileiro. Os estranguladores (1908), reconstituição de um crime famoso, foi o primeiro grande sucesso de ficção, produzido pela profícua sociedade do cinegrafista português Antonio Leal com o ex-comerciante José Labanca. Datam de 1908 também a primeira comédia brasileira, Nhô Anastácio chegou de viagem, produção de Arnaldo & Cia, e a primeira filmagem de um jogo de futebol (entre brasileiros e argentinos).

Proliferavam na época os "filmes falantes" e "cantantes", sincronizados com o som de fonógrafos, e os filmes sacros. Surgiam os "filmes livres", proibidos para mulheres e crianças, que eram aconselhadas a prestigiar o Novíssimo Cinematographo Infantil. Romancistas, dramaturgos e caricaturistas passavam a escrever para o cinema, enquanto o cronista João do Rio sublinhava que "os filmes de arte realizaram uma completa transformação dos costumes". O êxito do cinema brasileiro provocava o fechamento de muitos teatros por volta de 1910 e repercutia através de anúncios na Europa. A cine-opereta A viúva alegre (1909), de Alberto Moreira, estabelecia novo recorde de bilheteria, só superado por Paz e amor (1910), de Alberto Botelho, que levou o teatro de revista para as telas com alfinetadas de crítica à campanha civilista.

Em 1911, chegou a primeira missão de capitalistas norte-americanos interessados em investir em cinema no Brasil. Atores dos EUA protagonizaram o drama Nas matas de Mato Grosso. Os filmes estrangeiros começavam a tirar espaço dos nacionais, que por alguns anos sobreviveram basicamente nos cinejornais e filmes de "cavação", encomendados ou vendidos a quem neles aparecia. Em 1915 radicou-se em São Paulo o italiano Vittorio Capellaro, que produziria os primeiros épicos e adaptações literárias no país. Também em São Paulo, Gilberto Rossi e José Medina elevaram o padrão técnico e artístico da atividade em filmes como Exemplo regenerador (1919). De 1912 a 1922, foram produzidos pouco mais de 60 filmes no Rio de Janeiro, que passava a dividir atenções com a produção de outros estados.