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CINEMA EUROPEU .:. PORTUGAL

Em novembro de 1896 eram projetados no Porto os primeiros filmes do comerciante e fotógrafo amador Aurélio da Paz dos Reis, inaugurando o cinema português com curtas tentativas documentais, entre as quais se destacaram também, até 1908, as de Maria da Costa Veiga. Em 1910, a República trouxe nova vitalidade, superando carências de equipamento e laboratoriais: João Freire Correia foi o exemplo dessa evolução, com a Portugália Filme. Um ano depois, surgiu o primeiro filme longo de ficção, Os crimes de Diogo Alves, de João Tavares. Na década de 1920, sobressaiu uma empresa do Porto, a Invicta Film, com a transposição dos clássicos da literatura, sob a direção do francês Georges Pallu e do italiano Rino Lupo. Em 1926, foi instaurado o regime ditatorial que, até 1974, manteve a censura aos espectáculos.

Na transição do mudo para o sonoro, afirmaram-se cineastas como Jorge Brum do Canto (A dança dos paroxismos, 1929), Chianca de Garcia (Ver e amar!, 1930) e Leitão de Barros (Maria do Mar, 1930) que concluiu, em França, o primeiro filme sonoro português (A Severa, 1931). Com A canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo, nasceu uma fase de comédia (musical) populista que, na virada dos anos 1940, em plena II Guerra, atingiu o apogeu com António Lopes Ribeiro (O pai tirano, 1941), Ribeirinho (O pátio das cantigas, 1941) e Artur Duarte (O costa do Castelo, 1943). Este gênero — com o melodrama (Fado, história duma cantadeira, 1947, de Perdigão Queiroga), a exaltação histórica (Inês de Castro, 1945, de Leitão de Barros), a adaptação romanesca (Amor de perdição, 1943, de Lopes Ribeiro) e a aventura popular (José do Telhado, 1945, de Armando de Miranda) — repetiu-se, nos anos 1950, com pouca imaginação e menos público. Manuel Guimarães (Saltimbancos, 1951) é o único exemplo neo-realista dessa época.Os anos 1960 assinalaram uma virada, com uma jovem geração crítica: Ernesto de Sousa (Dom Roberto, 1962), Paulo Rocha (Os verdes anos, 1963), Fernando Lopes (Belarmino, 1964) e António Macedo (Domingo à tarde, 1965). Este cinema novo reanimou-se através do Centro Português de Cinema, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Personalidade mobilizadora, nos setores da produção e da distribuição, António da Cunha Telles lançou-se como realizador (O cerco, 1970), juntamente com José Fonseca e Costa (O recado, 1971), António Pedro de Vasconcelos (Perdido por cem, 1972), Fernando Matos Silva (O mal-amado, 1972), Eduardo Geada (Sofia e a educação sexual, 1973) e Alberto Seixas Santos (Brandos costumes, 1974), no que se designou por ciclo de resistência ao conformismo cultural e social do Estado Novo.

A revolução de 1974 favoreceu os testemunhos de intervenção, em alternativa ao circuito comercial, com a participação da televisão oficial. Distinguiram-se António Reis (Trás-os-Montes, 1976) e João César Monteiro (Veredas, 1977), entre outros. Na década de 1980, despontaram João Botelho (Conversa acabada, 1981), João Mário Grilo (A estrangeira, 1982), Joaquim Leitão (Duma vez por todas, 1986) e Pedro Costa (O sangue, 1989). Os desafios do audiovisual, pautados por parâmetros europeus, contrastam com a singularidade de Teresa Villaverde (A idade maior, 1990), de Joaquim Sapinho (Corte de cabelo, 1995) e de uma novíssima geração saída da Escola Superior de Cinema, fundada em 1973. Manoel de Oliveira mantém a presença tutelar: vanguardista em 1931 (Douro, faina fluvial), poético em 1942 (Aniki-Bobó), teatral e documental em 1962 (O acto da primavera), transgressivo em 1971 (O passado e o presente), perturbador em 1981 (Francisca), deslumbrante em 1993 (Vale Abraão) e, como sempre, polêmico.

Nos anos 1990, Paulo Branco afirma-se como um importante produtor, contribuindo para a afirmação internacional do cinema português e, na qualidade de distribuidor e exibidor, para a difusão do cinema de arte que as estruturas industriais tendem a marginalizar.