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BITOLAS E FORMATOS .:. FORMATOS ESPECIAIS

Textos fornecido Por Filipe Salles - Home-page pessoal
copyright© by Filipe Salles, 2000.

No início da década de 40, as pesquisas no campo da tecnologia de transmissão eletrônica de imagens já haviam chegado, nos EUA, a um grau de excelência que possibilitaram a invenção da TV comercial. Num primeiro momento, este avanço representou para o cinema a inclusão de um concorrente direto e potencialmente promissor, e cuja conseqüência mais próxima seria sua extinção.

Levando-se em conta que o cinema era uma das maiores fontes de renda americanas (ainda hoje é a segunda maior renda dos EUA), a televisão punha-se como um rígido anteparo ao avanço das produções em película, tanto pela comodidade de assistir filmes pelo aparelho de TV quanto pelo custo menor de uma produção eletrônica. Como em ambos o interesse comercial era proeminente, a saída que os grandes estúdios arrumaram foi a criação de sistemas impossíveis de serem reproduzidos em toda sua extensão pela TV. Um deles foi a cor, outro, o som estereofônico, e ainda outro, os grandes formatos.

Surgiu daí o conceito de grande produção e da bitola de 70mm. E, de fato, era realmente impossível reproduzir a experiência proporcionada pela sala escura numa projeção em 70mm e som estéreo, dada a qualidade da imagem e som, que ainda hoje o vídeo não alcançou. Exemplos deste tipo de produção são encontrados em filmes épicos como "Ben-Hur" (William Wyler, 1959), "Os Dez Mandamentos" (Cecil B. de Mille, 1956), "El Cid" (Anthony Mann, 1961) ou mesmo "2001" (Stanley Kubrick, 1968). Entretanto, mesmo com tais recursos, o custo de uma produção desta magnitude era inviável para a maioria dos estúdios, de tal maneira que foi necessária a criação de sistemas alternativos. Tais sistemas simulam diferentes formatos numa mesma bitola, ao ponto de permitir, com algumas restrições técnicas, um formato próximo à proporção do 70mm numa bitola de 35mm.


À esquerda, a projeção em tela panorâmica de um fotograma captado com lente anamórfica, que comprime a imagem no espaço do fotograma 35mm, mostrado à direita.

A primeira a mais comum alternativa para essa simulação é a lente anamórfica, também conhecida como Cinemascope. Consiste numa lente adicional colocada à objetiva da câmera que tem a propriedade de captar um formato maior que a proporção possível do negativo é capaz de suportar, como por exemplo 2,20:1 ou 2,35:1. Para "caber" esta proporção no formato da bitola 35mm, a lente distorce a imagem tornando-a, na captação, mais alongada na vertical (para isso utiliza-se da janela Full Screen). Na projeção, utilizando-se uma lente de projeção anamórfica, que nada mais é que o inverso da que captou, temos o alongamento das laterais para compensar a distorção vertical, obtendo um formato próximo do 70mm, 2,2:1

Se for usada a janela Full Screen, é possível fazer uma ampliação para o formato da bitola 70mm sem perda de quadro. Uma outra possibilidade é filmar com uma outra janela, a 1,85:1, que possui algumas diferenças na resolução e profundidade de campo (maior que no outro formato). Porém, na ampliação para 70mm, há perda de quadro nas laterais.

Outros sistemas de captação com lente anamórfica são o Techniscope e o sistema Panavision, que possibilita o formato 2,35:1 como resultado final.

E há ainda o sistema VistaVision, que foi bastante comum na década de 60, e que trabalha com a captação do negativo 35mm na horizontal, permitindo assim um melhor aproveitamento da área útil da emulsão, simulando um formato próximo de 70mm.