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A LUZ .:. TIPOS DE LUZ E A TEMPERATURA DA COR

Textos fornecido Por Filipe Salles - Home-page pessoal
copyright© by Filipe Salles, 2000.

Além da qualidade da emissão de luz, que segue a classificação acima, existe também o tipo de luz segundo a temperatura de cor. Este assunto já foi tratado em fotografia estática, mas aqui devemos reiterar suas características.

A temperatura de cor não diz respeito à temperatura calorífica diretamente; antes, a escala de temperatura é usada em correspondência à freqüência da cor. Assim, determinada temperatura equivale a uma freqüência do espectro eletromagnético. A temperatura de cor é medida em graus Kelvin (ºK) e foi tirada a partir do aquecimento de um composto de carbono, que passa por todas as freqüências conforme aumentava seu calor. É uma escala por analogia.

No início do cinema, a iluminação era natural (luz do sol) e a película Preto-e-Branco, de maneira que a temperatura de cor não fazia nenhuma diferença no resultado. Porém, quando os processos de cor começaram a se tornar comercialmente viáveis, as empresas fabricantes de película (Eastman, Agfa, Pathé, etc...) se depararam com o problema da temperatura de cor. Os filmes estavam preparados para receber e absorver determinada quantidade de freqüência de cada uma das cores básicas (vermelho, verde e azul), mas a quantidade de cada uma destas freqüências variava muito conforme a fonte de luz. Isso resultava num desvio do branco: quanto mais vermelho fosse emitido pela fonte de luz, mais alaranjado ou rosa (dependendo do fabricante) ficava o filme. Inversamente, se a fonte de luz tivesse predomínio do azul, o branco tenderia ao verde ou ao próprio azul.

Era necessário, portanto, uma padronização dos tipos de filme, pois não seria economicamente possível produzir um tipo de filme para cada tipo de fonte luminosa. Para viabilizar esta padronização de tal maneira que pudesse atender à maioria dos produtores e grandes estúdios, as fábricas de filme procuraram saber a freqüência média de cor emitidas pelos equipamentos de luz existentes no mercado, à essa altura com imensa variedade. Constatando uma variação média de 3.200ºK, as fábricas optaram por produzir filmes que respondessem, na LUZ ARTIFICIAL, a esta temperatura, ou seja, predomínio de freqüências alaranjadas (entre amarelo e vermelho). Mas como era grande o uso de filmes com LUZ NATURAL, ou seja, luz do dia, era patente a necessidade de um filme que respondesse nesta qualidade de luz também. Entretanto, o problema não era diferente das luzes artificiais, pois na luz do dia as freqüências também oscilam significativamente, como se pode ver na ilustração abaixo:

Temperatura da Luz
Variação de temperatura do sol: do amanhecer (esquerda), ao crepúsculo (direita), o sol varia de 2.000º a 15.000ºK

Foi necessário tirar também uma média que pudesse registrar as horas do dia com mais fidelidade, ou seja, se a filmagem é feita pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, que o clima particular destes horários ficasse patente, salvo necessidade adversa. Então, optou-se pela temperatura de 5.500ºK, para luz natural, com maior capacidade de registrar predominâncias de azul na freqüência.

Temos então, dois tipos de filme segundo o BALANCEAMENTO CROMÁTICO:

· Tungstênio (3.200ºK)
· Daylight (5.500ºK)

O uso de filmes Tungstênio em fontes de luz Daylight acarreta uma predominância de tons azuis lavados de efeito desagradável no resultado final, que muitas vezes não podem ser eliminados nas filtragens de cópia. O contrário, uso de filmes Daylight em fontes de luz Tungstênio, acarreta predominância de tons alaranjados e amarelados, que podem ou não servir a determinados climas que se quer construir.

A rigor, as temperaturas de cor devem ser respeitadas à risca, pois com o branco sempre balanceado, o controle sobre os filtros e gelatinas usados durante a filmagem é maior. Portanto, se numa dada situação, temos um filme tungstênio para filmar numa praia, não se desespere! Há sempre um filtro capaz de converter as temperaturas. São eles:

Se eu tenho:

FILME
LUZ
FILTRO
3.200 ºK 5.500 ºK 85 B (âmbar)
5.500 ºK 3.200 ºK 80 A (azul)

É possível também, somente no caso de converter fonte de luz tungstênio para usar com filme daylight, usar uma gelatina na fonte luminosa. Obviamente não dá para colocar gelatina no sol, a não ser que seja gelatina em pó Royal. Deve-se procurar sempre a gelatina de conversão correta, pois existem filtros para outras conversões próximas (3.400 e 3.800ºK).

Embora vários fabricantes tenham estes filtros e a nomenclatura varie, é consensual a utilização do código da Kodak, pioneira na fabricação destes filtros, e portanto não há problema em pedir pelas siglas acima citadas.