19/06/2006 : 10h20 - Como muitos de nós sabemos, o Cinema Novo talvez seja o maior movimento cinematográfico que já exstiu no Brasil. Não somente cinematográfico, mas também concatenado à uma causa social e cultural, que serve de inspiração até hoje.
O movimento que surgiria entre os anos 50 e 60 marcaria o fim da "puberdade" no nosso cinema - antes disso, o comércio cinematográfico por aqui girava em torno das chanchadas e filmes hollywoodianos importados -, pois os grandes estúdios da época procuravam de certa forma copiar o estilo e o padrão americano de contar histórias, o que nitidamente não se chocava com a realidade brasileira da época.
O líder Glauber Rocha começa então a sua revolução em nosso país: com mais alguns amigos e conhecidos, estudantes do cinema como um todo mas especialmente interessados pelos movimentos europeus como a nouvelle vague francesa e enfaticamente o neo-realismo italiano, criam então o Cinema Novo. Sua proposta era simples: uma câmera na mão e uma idéia na cabeça.
Mas o que isso de fato queria dizer? Glauber mostraria, não só para o Brasil, mas para o mundo, que o cinema também serve para alertar, para divulgar problemas sociais, para acender na população a curiosidade sobre as minorias.
O cinema de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade e alguns outros, era focado na cultura popular, nas crendices do sertão, na vida dura da favela. Não estilizavam seus takes e não faziam seus filmes serem facilmente digeridos. Pela primeira vez no Brasil, o cinema não tinha como objetivo final o lucro e uma causa nobre surgia: divulgar, para nós brasileiros, nossa própria cultura. Conhecer as minorias e voltar nossos olhos para a pobreza, a miséria e a vida dura. Essa sim, era a maior parte do Brasil, e não os filmes americanos.
Com a virada da década, o cinema novo se mescla com uma nova revolução no Brasil, a tropicália. Perdendo um pouco de seu caráter crítico, agora o movimento se preocupa em traduzir as cores e os rostos brasileiros. Apesar de bem sucedido, não tarda até que o Cinema Novo descansasse na memória da população.
Porém, diferentemente de todos os outros movimentos da época, o Cinema Novo deixou suas pegadas marcantes, que até hoje são seguidas e servem de inspiração e influência para os mais famosos e conceituados diretores de nossa época, como Fernando Meirelles e Walter Salles, o que significa que, de fato, o Cinema Novo nunca morreu, e ajudará por muitas outras décadas a contar a história do povo brasileiro para o mundo.
Marina Lourenço Alves.