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CINEMA EUROPEU .:. GRÃ BRETANHA

Apesar de suas contribuições iniciais ao nascimento do cinema, a indústria britânica logo foi superada pela de Hollywood e pela alemã, o que explica o fato de muitos diretores ingleses, como Herbert Wilcox ou mesmo Alfred Hitchcock, terem dirigido seus primeiros filmes em Munique ou em Berlim, onde os recursos técnicos eram superiores. Em 1928, foi promulgado o Cinemamatograph Film Act (1928), conhecido como a lei de quotas, que obrigou os exibidores a projetar uma percentagem mínima de filmes nacionais.

Embora essa lei tenha seu lado negativo, como a produção de filmes de qualidade ínfima para cobrir as quotas, durante esse período foram realizadas algumas produções ambiciosas, como Cape Forlon (1931), dirigido por E. A. Dupont, e O expresso de Roma, escrito por Sidney Gilliat, que chegaria a ser um dos mais importantes diretores britânicos.

A indústria cinematográfica alemã entrou em declínio com a invenção do filme sonoro, e muitos técnicos alemães foram para a Inglaterra em busca de trabalho. Alexander Korda, que havia trabalhado em Berlim, Hollywood e Paris, chegou à Inglaterra enviado pela Paramount, para produzir filmes destinados a cobrir a quota de exibição, e em 1933 realizou Os amores de Henrique VIII, que lançou Charles Laughton ao estrelato.

Durante esse período muitos produtores obtiveram financiamento próprio diretamente com os bancos, filme a filme, com pouco controle financeiro. Logo tiveram de arcar com problemas econômicos, que impediram a introdução da cor e de outras inovações técnicas que estavam sendo desenvolvidas. Apesar disso, Alfred Hitchcock realizou ali alguns de seus principais filmes.

Com a eclosão da II Guerra Mundial em 1939, quase todos os americanos e muitos exilados europeus abandonaram a Grã Bretanha e foram para Hollywood. A escola documentalista, que John Grierson havia fundado como a GPO Film Unit no início da década de 1930, passou a ser a Crown Film Unit. O Ministério da Informação e Propaganda assumiu o controle da produção e um grande número de filmes de propaganda foi produzido, entre os quais incluem-se as notáveis realizações de Humphrey Jennings, Listen to Britain (1942) e Fires were started (1943). O diretor brasileiro radicado na Inglaterra Alberto Cavalcanti, junto com um grupo de jovens colaboradores, realizou uma série de filmes comerciais de feição documentalista, que se transformaram no foco do realismo britânico. Paralelamente Michael Powell e Emeric Pressburger realizaram películas experimentais.

Durante a década de 1940, Powell, Pressburger, Frank Lauder, Sidney Gilliat, David Lean, Ronald Leame y Anthony Havelock Allen deram um tal impulso à criação, produção e direção cinematográficas que a qualidade do cinema britânico melhorou consideravelmente. Muitas realizações contaram com atores do porte de Rex Harrison, Celia Johnson, Trevor Howard e Alec Guinness. Na década de 1950, o governo fundou a esperada National Film Finance Corporation (NFFC), banco nacional do cinema, e criou um imposto sobre a importação de filmes destinado a financiar diretamente os produtores britânicos.

Nos anos 1960 o cinema inglês era considerado entediante pela maioria do público, e a nova inspiração vinha do teatro. John Osborne, Tony Richardson, Karel Reisz e Lindsay Anderson, através do movimento do free cinema (cinema livre), clamavam pela independência artística de um cinema inglês menos apegado aos valores tradicionais e aos triunfos passados, que se ocupasse mais com as preocupações e aspirações contemporâneas. O modelo, embora com um maior compromisso social, era a nouvelle vague (ver Cinema francês).

Essa nova vitalidade, representada por Lindsay Anderson e seus colegas, tomou novo rumo sob a influência da cultura jovem e sua ênfase na moda e na música pop. O Reino Unido, com suas vantagens financeiras para os produtores, transformou-se em um foco de atração para a produção cinematográfica internacional. O grande impacto proveniente dos Estados Unidos chegou pela mão de Stanley Kubrick, com 2001: Uma odisséia no espaço (1968) e Laranja mecânica (1971), que introduziram procedimentos técnicos até então desconhecidos no Reino Unido.

Nos primeiros anos da década de 1980, o governo Thatcher retirou o apoio financeiro à produção, que funcionava através da NFFC. Embora o cinema britânico tenha obtido alguns sucessos comerciais espetaculares (Quatro casamentos e um funeral, 1994, de Mike Newell), tratam-se de êxitos isolados, como é o caso de Para o resto de nossas vidas (1992), dirigido por Kenneth Branagh.

David Lean, John Boorman, Alan Parker, Nicholas Roeg e Ridley Scott são exemplos de diretores britânicos que se impuseram no panorama internacional.