Em 1896, com a chegada do cinematógrafo de Lumière, foram realizados os primeiros documentários em curta-metragem. O primeiro espanhol a usar o cinematógrafo foi E. Jimeno, com Salida de la misa de las doce del Pilar de Zaragoza (1897).
No entanto, o início do cinema de ficção, que já exigia uma infra-estrutura industrial básica, evidenciou o que seria o permanente problema da produção cinematográfica espanhola: a disparidade entre o abundante potencial criativo e a debilidade da indústria. As produções nacionais começaram baseando-se na tradição literária (Don Juan Tenorio, 1908, de Ricardo de Baños), no costumbrismo (descrição realista da vida popular) de caráter folclórico (Malvaloca, 1926, de Francisco Gómez Hidalgo), nas corridas de touros (Currito de la Cruz, 1925, de Alejandro Pérez Lugín), ou em episódios históricos (Agustina de Aragón, 1928, de Florián Rey). A zarzuela (espécie de ópera popular) filmada representou, em 1923, 50% da produção nacional.
Cinema sonoro
A chegada do cinema sonoro, em 1929, provocou a falência da produção, já que a sonorização dos filmes tinha que ser feita no exterior. La aldea maldita (1929), de Florián Rey, teve de ser sonorizada em Paris, onde estreou.
Com a II República (1931-1939), tentou-se criar uma indústria em bases mais sólidas. Assim nasceu, em 1932, em Madri, o primeiro estúdio, Orphea. Em 1934 surgiu o CEA (Cinematografia Espanhola e Americana) e foi criado o Filmófono, pelas mãos de Luis Buñuel, os quais procuraram fazer um cinema comercial espanhol de qualidade. A primeira película sonora produzida na Espanha foi Carceleras (1932). Durante a Guerra Civil, a indústria tornou a sofrer nova parada e as produções cinematográficas passaram a ter finalidades propagandísticas.
Com o início da ditadura franquista (1939), o cinema continuou a ser uma indústria de propaganda política, mas sujeita a uma férrea censura prévia. Figuras destacadas da nascente indústria tiveram de exilar-se. Durante esses anos o cinema se especializou em produções de consumo (musicais e comédias), religiosas e patrióticas.
Um dos maiores sucessos comerciais dessa época foi o filme Marcelino, pão e vinho (1955), do diretor Ladislao Vajda.
Houve, durante o pós-guerra, uma tentativa de fazer um cinema diferente, mas foi na década de 1950, com a influência do neo-realismo italiano (ver Cinema italiano), que começaram a aparecer obras realmente interessantes, como Bienvenido Mr. Marshall (1952), de Luis García Berlanga, e Morte de um ciclista (1955) e Cómicos (1954) de Juan Antonio Bardem.
Desde então, teve influência decisiva a Escola Oficial de Cinematografia (antes Instituto de Pesquisas e Experiências Cinematográficas, criado em 1947), na qual formaram-se Berlanga e Bardem, e onde estudaram também os diretores da geração seguinte, como Carlos Saura, Pilar Miró e Víctor Erice.
Outros nomes a considerar dessa geração são o roteirista Rafael Azcona e os diretores José Luis Cuerda e Fernando Trueba. Autores importantes desde 1960 e ainda em atividade são os que pertencem à Escola de Barcelona, da qual surgiram Gonzalo Suárez e Vicente Aranda.
Já em plena transição política, teve início um estilo de cinema de reflexão sobre a Guerra Civil, o pós-guerra e a vida durante o franquismo, na qual misturam-se a denúncia, a sátira e a nostalgia, embora tenham sido também abordados outros temas, mas sem o mesmo sucesso.
Desligado dessa geração, e com o apoio do movimento contracultural dos anos 1980, especialmente em Madri e Barcelona, surgiu um cinema novo e provocador, inicialmente destinado a pequenas platéias, mas que depois mostrou ser comercialmente atraente, no qual destacou-se sobretudo Pedro Almodóvar e, numa linha mais convencional, o também produtor Fernando Colomo. Em Barcelona, a figura de maior destaque foi Bigas Luna.
Nos últimos anos, surgiu um movimento de novos realizadores com uma temática mais ampla e uma narrativa mais ágil e menos pretensiosamente ‘culta’. As realizações de Álex de la Iglesia, Julio Médem, Mariano Barroso, Juanma Bajo Ulloa e La Cuadrilla são exemplos disso.
