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CINEMA EUROPEU .:. FRANÇA

Durante a I Guerra Mundial, jovens cineastas como Abel Gance, Marcel L’Herbier e Louis Delluc tiveram oportunidade de dirigir e formular novas teorias sobre como devia ser a arte cinematográfica. O resultado foram filmes baseados em histórias convencionais, sobre as quais desenvolviam uma série de efeitos fílmicos, proposta que, a partir de uma perspectiva mais moderna, os tornaria duvidosamente vanguardistas.

Cinema sonoro

Uma série de tentativas promissoras para desenvolver uma tecnologia francesa de cinema sonoro fracassou por insuficiência de investimentos, o que forçou os estúdios e as salas de exibição a recorrer aos dispendiosos equipamentos americanos ou alemães. Assim, esses dois países passaram a desempenhar um papel essencial na produção inicial do cinema sonoro francês. René Clair, com suas obras Sob os tetos de Paris (1930), O milhão e A nós a liberdade (ambas de 1931), contribuiu para o prestígio da produção sonora francesa no exterior. Destacam-se ainda nesse período os diretores Jean Grémillon, realizador de La petite Lise (1930), considerada uma antecipação do fatalismo melancólico e do compromisso com os marginalizados, típicos do realismo poético, escola dominante na idade de ouro, que teve como expoentes Marcel Carné e Jean Renoir. Nesses anos a grande estrela da tela foi o ator Jean Gabin.

Um dos paradoxos da indústria cinematográfica francesa é o fato de que seus maiores sucessos artísticos ocorreram estreitamente unidos ao fracasso de suas grandes companhias em sua tentativa de dominar a produção, distribuição e exibição. Em conseqüência disso, o grosso da produção ficou em mãos de pequenas empresas independentes. Uma mostra disso é o filme A grande ilusão (1937) de Renoir. No cinema francês, a figura do criador individual teve tanto peso quanto a rigidez de suas estruturas e os prejuízos de sua indústria e de seus diretores. Foi esse cinema de autor que proporcionou o sucesso fora de suas próprias fronteiras.

Nos anos anteriores à guerra, vários cineastas participaram ativamente das campanhas organizadas pelo Ciné-Liberté, grupo da Casa de Cultura do Partido Comunista, que se propunha acabar com as quotas de filmes importados e ainda taxá-los com impostos destinados a apoiar a produção francesa. Reivindicava-se também a abolição imediata da censura cinematográfica, responsável pela recusa em conceder licenças de exibição pública para certos filmes, entre os quais encontravam-se Zéro de conduite (1933), principal filme de Jean Vigo, e L'age d'or (1930) de Luís Buñuel, obra-prima do surrealismo no cinema.

Na década de 1940, os principais novos realizadores foram Robert Bresson e Jacques Tati. Renoir e Max Ophuls, que haviam fugido dos nazistas durante a guerra, voltaram na década de 1950 para retomar seu trabalho.

O sucesso dos filmes de Roger Vadim, estrelados por Brigitte Bardot, dos quais E Deus criou a mulher (1956) foi o primeiro, mostrou que havia um mercado potencial para os filmes dirigidos ao público jovem. Alguns produtores começaram a apoiar outros jovens cineastas capazes de trabalhar rápido ou com recursos mínimos. Quem melhor soube aproveitar essa oportunidade de produção foi um grupo de jovens críticos, entre eles Claude Chabrol, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, Eric Rohmer e François Truffaut, que, enquanto estudavam cinema nas telas da cinemateca francesa, fundaram com o apoio de André Bazin os Cahiers du Cinéma, que se tornou a revista de crítica cinematográfica de mais prestígio no mundo.

O trabalho desses diretores, que deram forma ao movimento da nouvelle vague francesa, não respeitava a estrutura tradicional dos roteiros e as transições formais suaves, realizava vigorosos movimentos de câmera, modificava o eixo da ação e rejeitava o brilho da iluminação de estúdio. Godard, Truffaut e o diretor de fotografia Raoul Coutard lideraram a volta às locações naturais, inclusive nas cenas de interiores. Essa forma de trabalhar encaixava-se com perfeição à espontaneidade de novos intérpretes como Jeanne Moreau, Anna Karina e Jean-Paul Belmondo. Durante esse período merece destaque também a obra mais convencional de Louis Malle.

Os filmes franceses das décadas de 1980 e 1990 obtiveram com freqüência sucesso de bilheteria, como foi o caso de Os visitantes - Eles não nasceram ontem (1992, Jean Marie Poiré), mas a paixão e o caráter experimental das obras-primas da idade de ouro e dos primeiros tempos da nouvelle vague são hoje difíceis de encontrar.