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CINEMA BRASILEIRO .:. CINEMA MARGINAL E A PORNOCHANCHADA

Paralelamente aos últimos momentos do cinema novo, desenvolveu-se, no Rio de Janeiro e em torno do bairro underground da Boca do Lixo em São Paulo, uma corrente de cineastas jovens mais preocupados com a contestação dos costumes e da linguagem cinematográfica que com o processo político-social do país. Rogério Sganzerla, com O bandido da luz vermelha (1967), e Julio Bressane, com Matou a família e foi ao cinema e O anjo nasceu (1969), inspiraram dezenas de filmes que rompiam com o intelectualismo do cinema novo e tentavam alcançar o público aproveitando "os 50 anos de mau cinema norte-americano absorvido pelo espectador". Pretendia-se incorporar, de forma ativa, os ícones da sociedade de consumo e da cultura de massa, numa esfera de influência de Jean-Luc Godard e do pop inglês da época. Ao mesmo tempo, radicalizava-se a estética da fome preconizada pelo cinema novo.

O cinema marginal ou udigrudi revelou diretores como Andrea Tonacci (Bang bang, 1970), Elyseu Visconti (Os monstros de Babaloo, 1970), Fernando Coni Campos (Viagem ao fim do mundo, 1968), Luiz Rozemberg Filho (Jardim das espumas, 1970), Neville D'Almeida, Carlos Reichenbach Filho e Ivan Cardoso. Absorveu cineastas precursores do movimento, como os paulistas Ozualdo Candeias (A margem, 1967) e José Mojica Marins. Sua ruptura, porém, ganhou proporções anárquicas, que inviabilizariam o pretendido diálogo com o público.

A Boca do Lixo paulista tornou-se, nos anos 1970, o centro de produção das pornochanchadas, gênero que se constituiu a partir do sucesso das comédias eróticas leves do início da década e foi desembocar num ciclo de pornografia explícita nos anos 1980. A pornochanchada, duramente combatida por muitos e defendida por outros como fonte de empregos e renda para o cinema do período, teve grande êxito popular em seu apogeu.