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CINEMA LATINO-AMERICANO .:. MÉXICO

A história do cinema mexicano está marcada por três tipos de fatores: as imprevisíveis oscilações econômicas e políticas; a proximidade e influência dos Estados Unidos, determinando a sólida formação de técnicos e atores, aos quais a incipiente indústria nacional nem sempre podia assimilar; e a influência do folclore e da canção popular, que transformou cantores como Tito Guizar e Jorge Negrete em atores famosos.

A esses fatores seria necessário acrescentar as influências culturais européias, vindas pela mão de realizadores que lá se formaram (Felipe Cazals) e de cineastas que haviam se refugiado no México, ou que foram atraídos pela cultura do país (Luis Buñuel, Sergei Eisenstein). Tudo isso resultou em uma série de figuras isoladas, cuja importância transcendeu as fronteiras do país, entre as quais se encontram Emilio Fernández, Mario Moreno Cantinflas na comédia, e o exilado espanhol Luis Buñuel, cuja obra foi gerada e desenvolvida em grande parte no México.

Em 1896, Salvador Toscano Barragán abriu a primeira sala de exibição, e dois anos depois realizou o primeiro filme de ficção mexicano, Don Juan Tenorio. Mas foi preciso esperar até 1906 para aparecer o primeiro longa-metragem, San Lunes del Valedor, ao qual se seguiu El grito de Dolores (1910), de Felipe Jesús.

Cinema sonoro

Com a chegada do cinema sonoro, em 1930, foi rodado o primeiro filme falado mexicano, Más fuerte que el deber, de Rafael J. Sevilla, e começou a decadência econômica do cinema mexicano, devida à passagem do enfoque artesanal para o industrial. O que começou, de fato, foi a produção de Hollywood em terra mexicana.

Em 1931, foi rodado Viva México!, do revolucionário diretor soviético Eisenstein, que teve uma incisiva influência sobre a obra posterior de diretores mexicanos como Emilio Fernandez.

Naqueles anos, com a chegada das produções americanas, começou um período de grande produção em torno de temas populares, folclóricos, mesmo quando abordavam fatos históricos relativos à então recente Revolução. O diretor mais famoso do período foi Fernando de Fuentes. Surgiram também os atores mais conhecidos do cinema mexicano: Maria Félix, Pedro Armendáriz, Dolores del Río e o próprio Cantinflas, além dos cantores Pedro Infante e Jorge Negrete.

Luis Buñuel, após algumas tentativas difíceis e vacilantes, realizou nas décadas de 1950 e 1960 obras de repercussão internacional, que lançaram intérpretes como Sílvia Pinal e técnicos como Luis Alcoriza. Além desses, Cantinflas alcançou uma popularidade inigualada. Nos anos seguintes procurou-se produzir um cinema menos comercial, no qual se destacou, entre outros muitos realizadores, Arturo Ripstein.

Nos últimos anos, após 1985, assistimos a um ressurgimento da cinematografia mexicana, se não na quantidade ou na força da produção, pelo menos no que diz respeito ao interesse e à qualidade do cinema realizado. Destacam-se as produções de Alfonso Arau, Jaime Hermosillo e María Novaro.