A primeira demonstração nesse país do cinematógrafo dos irmãos Lumière foi em 1896. Até 1907, todos os filmes exibidos na Rússia eram importados ou realizados por estrangeiros, até que Alexander Drankov decidiu rodar Borís Godunov. Sua obra seguinte, Stenka Razin (1908), é o primeiro filme russo de ficção que chegou até nossos dias.
A produção russa durante os dez anos seguintes foi dominada por Drankov e seu rival Alexander Janzhonkov. Os temas literários e históricos logo foram substituídos por contos fantásticos de bandidos e candentes melodramas. Os principais diretores, Iakov Protázanov, Vladimir Gardin e I. Bauer, desenvolveram um estilo lento.
Ao iniciar-se a Revolução de 1917, os cineastas quiseram aproveitar rapidamente o desaparecimento da censura para abordar temas políticos e religiosos antes proibidos, como a obra de Protázanov e Bauer. A nacionalização da indústria cinematográfica, em 1919, orientou a produção para curta-metragens de propaganda política.
Em 1919, Gardin fundou a primeira escola estatal do mundo para ensinar a nova arte. A ela seguiu-se a escola de Lev Kúlechov, primeiro teórico da história do cinema. Entre seus alunos estavam Vsevolod Pudovkin e Sergei Eisenstein, que, junto com Alexander Dovzhenko realizaram três obras primas da história do cinema: O encouraçado Potemkin (1925), A mãe (1926) e Arsenal (1929).
Cinema sonoro
A chegada do som, em 1931, elevou o cinema à categoria de prioridade estatal e numerosas salas foram abertas. A invasão alemã, em 1941, obrigou os dirigentes soviéticos a permitir a realização de películas que elevassem o moral do povo, dando maior liberdade de atuação aos cineastas e limitando as interferências da censura.
Nikita Khrutchev permitiu um cinema mais crítico. Em 1958, Quando voam as cegonhas, de Kalatozov, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Surgiu uma nova geração de autores, como Vasili Shukshin, Andrei Tarkovski, Andréi Konchalovski, Elem Klimov, Larisa Shepitko e muitos outros. No início da década de 1980 chegaram aos mercados ocidentais muitas obras desconhecidas de grande valor, que além disso levaram ao ridículo a censura anterior e seus critérios arbitrários, contribuindo para alimentar o desejo de uma mudança política em profundidade. O diretor Nikita Mikhalkov (O sol enganador, 1994, Oscar de melhor filme estrangeiro) é uma mostra disso.
O cinema russo do século XXI produz muito pouco devido as dificuldades sociais e economicas que o país enfrenta, no entanto, a Russia é o único país do mundo em que toda a produção cinematográfica pode ser considerado verdadeiramente cinema de arte.
