Psicose é um dos filmes mais famosos do mestre do suspense, apesar estar entre suas produções mais ligeiras. Não importa o tema do filme, não tem uma grande história, muito menos uma idéia para transmitir. Todo o brilho do filme reside na direção dos aspectos técnicos e na direção do próprio público.
O diretor Alfred Hitchcock conta a história de uma secretária em fuga, por ter roubado 40 mil dólares, que se hospeda num hotel de beira de estrada, onde é atendida por seu estranho dono. A produção do filme consumiu apenas 600 mil dólares, mesmo considerando que estavam 1960. Hitchcock utilizou uma equipe de tv a fim de filmar as cenas mais rapidamente. Segundo o próprio diretor, somente na clássica cena do banheiro ele desacelerou o ritmo das gravações. Tudo no filme foi planejado para ser simples e despojado.
Sabiamente, o filme começa com Marion Crane (Janet Leigh) e seu namorado Sam Loomis (John Gavin) num quarto de hotel barato após uma rápida tarde de sexo. Vemos o rapaz sem camisa e ela de sutiã. Essa cena incita o voyeurismo ao espectador. Mais tarde, quando Marion está tomando banho no motel de beira de estrada, Norman Bates (Anthony Perkins) a espiona através de um buraco na parede. Nós, espectadores, perdoamos Norman porque também fazemos o mesmo, passamos a espiá-la e nos tornamos cúmplices. Por isso foi tão importante a incitação ao voyeurismo da primeira cena do filme. Hitchcock deu tamanha importância e gastou um tempo considerável narrando a fuga de Marion para desviar a atenção do espectador para o que acontecerá em seguida. Até este ponto do filme, estamos convencidos de que estamos vendo a história de uma mulher fugindo com 40 mil dólares... Porém, Marion é assassinada no banheiro a facadas. Fantástico! O público sempre tenta estar a frente da história, tentando prever o que vai acontecer. Hitchcock sabia disse e decidiu não deixar isso acontecer em hipótese alguma. Quem poderia imaginar que a heroína seria assassinada durante o primeiro terço do filme. Não bastasse isso, o diretor joga ainda mais com o espectador. Ele nos faz sentir empatia por Norman. Quando Norman joga o carro de Marion no pântano, ele começa a afundar e depois pára. Torcemos, assim como Norman, para que o carro volte a afundar. Isso acontece, ficamos aliviados e tornamos cúmplices de Norman. O mestre do suspense nos faz simpatizar com o que, futuramente, descobriremos ser um psicopata.
Esteticamente o filme é quase perfeito. Cada plano elaborado pelo diretor pretende levar a tensão ao máximo e sempre sem permitir que o espectador se antecipe. A trilha sonora multiplica a tensão do filme. O que dizer dos violinos na cena da banheira? A fotografia em preto e branco dá ao filme um clima noir. O único erro do filme foi, ao final, deixar a explicação do psiquiatra florense muito longa.
O mais agradável é que Psicose consegue todo esse impacto sem cenas de ação, sexo e violência explícita. Hitchcock consegue toda a sua proeza através da direção de câmera, fotografia e com ao auxilio de trilha sonora de Bermard Herman. É, na mais absoluta certeza, cinema genuíno, pois toda sua força está nas imagens e no som; não meramente em diálogos como a maioria dos trilhers atuais.
Igor Verzola.

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