Muitas vezes, quando estamos escrevendo nosso primeiros roteiros, exageramos na quantidade de diálogos. Simplesmente nos esquecemos que cinema é uma arte visual. A imagem sempre deve ser mais importante que a fala.
Um roteiro com muitos diálogos sempre é ruim? Não, de forma alguma. Doutor Fantástico e Noivo Neurótico e Noiva Nervosa são dois excelentes roteiros recheados de diálogos. O importante é não deixar o espectador se indiferente, ou seja, devemos sempre deixar a mente do espectador pensando sobre o futuro da história. Não podemos deixá-lo simplesmente apático, observando os acontecimento na tela grande do cinema. A questão é que quando num filme há diálogos demais, o espectador passa a frente dos acontecimentos e, tudo que lhe resta, é aguardar a história chegar no seu nível de conhecimento. Por isso o diálogo sempre deve levar a história para frente. Sempre deve ter um propósito na trama.
Um bom diálogo deve ter as seguintes características, segundo o livro Teoria e Prática do Roteiro Cinematográfico (Edward Mabley e David Howard).
1. Caracterizar o personagem que o diz.
2. Ser coloquial, manter a individualidade do personagem que o diz e, ao mesmo tempo, fundir-se no estilo geral do roteiro.
3. Refletir o estado de espírito do personagem que o diz.
4. Algumas vezes, revelar as motivações de quem o diz ou uma tentativa de ocultas suas motivações.
5. Refletir o relacionamento de quem o diz com os outros personagens.
6. Ser conectivo, ou seja, brotar de uma outra fala ou ação anteriores e desembocar em outras.
7. Levar a ação adiante.
8. Algumas vezes, fazer exposições.
9. Algumas vezes, prenunciar o que está por vir.
10. Deve ser claro e inteligível ao público alvo do filme.
