Existem apenas 3 elementos fundamentais do roteiro:
- Cabeçalho da cena - Deve conter INT. ou EXT (respectivamente, INTERIOR e EXTERIOR), localidade e tempo.
- Descrição visual ou Ação - Somente o que você VÊ E OUVE quando está assistindo ao filme.
- Diálogos - As falas e/ou narrações dos personagens
CABEÇALHO DA CENA
O cabeçalho da cena nos diz onde e quando a cena está acontecendo. Simplesmente, há apenas dois locais onde isso pode acontecer: dentro (INT.) ou fora (EXT.). E os tempos possíveis são diversos: você pode simplesmente indicar noite, dia, manhã, etc. ou indicar a hora exata do acontecimento quando necessário. Você pode ser tão específico ou gera.
Exemplos de cabeçalho de cena:
EXT. CENTRO DE SÃO PAULO - NOITE
EXT. CENTRO DE SÃO PAULO - AVENIDA PAULISTA - NOITE
EXT. AVENIDA PAULISTA - NOITE
EXT. AVENIDA PAULISTA - EM FRENTE AO SHOPPING PAULISTA - NOITE
EXT. SHOPING PAULISTA - 23:45
INT. CASA DE ANDRÉ - DIA
INT. CASA DE ANDRÉ - SALA - HORAS DEPOIS
INT. SALA DA CASA DE ANDRÉ - DIA
DESCRIÇÃO VISUAL
Também conhecida como ação, a descrição visual é aquilo que está se vendo na tela e nada mais, exceto se necessário, indicações de sons. Uma falha comum nos roteiros é indicar aquilo que não se passa na tela.
Exemplo:
Pedro, da vitrine, olha para o carro que sonha possuir desde criança.
O trecho "que sonha possuir desde criança", não é uma indicação visual, mesmo que Pedro demonstre isso com sua expressão facial.
O modo correto seria:
Pedro, da vitrine, olha para um carro no interior da loja.
Ou se quisesse deixar claro a admiração de Pedro pelo carro:
Pedro, da vitrine, com os olhos brilhando, olha encantado para um carro no interior da loja.
Na descrição da cena, não exagere nos adjetivos e nos detalhes, seja o mais conciso e claro possível. Filmes de ficção-científica e de fantasia geralmente exigem mais descrições do que uma comédia, por exemplo, mas nunca se esqueça que roteiro não é literatura, por tanto, não tente ser poético ou metafórico. Faça uma escrita mas semelhante a um jornal do que a um romance.
Mais um exemplo, com cabeçalho:
INT. SALA DE ESTAR – NOITE
Escuridão. Pouco pode ser visto dessa ampla e luxuo sala de estar. SOM de um portão metálico sendo aberto lentamente e depois fechando. OUVIMOS passos oriundos do lado de fora da residência.
UMA SOMBRA passa pela janela, do lado de fora da casa, depois mais outras duas. A janela é aberta pelo lado de fora. Três pessoas pulam, silenciosamente, para o interior da sala através da janela. Os três estão com roupas negras, luvas de coura e com máscaras de esqui.
O 1º Mascarado usa uma máscara com apenas uma fenda para os olhos. Os 2º Mascarado e o 3º Mascarado usam máscaras com uma fenda para cada olho. Eles adentram no recinto em passos lentos.
Reparem, na descrição da cena, que a roupa do 1º Mascarado é diferente dos demais e isso é ressaltado no roteiro. O roteirista só deve fazer isso se for necessário para a história; se em algum momento, isso vai ser importante para a compreenção da cena.
DIÁLOGO
Diálogo é um elemento difícil da roteirizarão, tanto que houve (na Europa principalmente) o dialoguista, que tinha como única tarefa escrever os diálogos. Há vários tipos de diálogo. Cabe ao roteirista ou o dialoguista saber que tipo de diálogo se encaixa melhor ao roteiro. O roteiro de gangster do filme Os Bons Companheiros de Martin Scorsese, por exemplo, usa diálogos realistas, isto é, tenta imitar como as pessoas falam na vida real. Enquanto o Poderoso Chefão (escrito por Coppola e Puzzo) tem um diálogo mais direto, um falso realismo, que enfatiza sobre tudo uma caracterização romantizada dos gangsters italianos.
Dependendo do universo da história e seus personagens, um mesmo diálogo pode ser dito de diversas maneiras. Como exemplo, vou citar aquele celebre fala de E O Vento Levou...
"PARA SER FRANCO MINHA CARA, ESTOU DANDO A MÍNIMA!"
Imaginem se esse mesmo diálogo fosse dito por um traficante carioca na época atual:
"QUER SABER? ESTOU CAGANDO PRA ISSO!"
Ou se o roteirista preferir escrever o diálogo com os vícios de linguagem, imperfeições e etc, o diálogo poderia ficar assim.
"QUÉ SABÊ? TÔ CAGANDO PRA ISSU!"
Para fazer do diálogo realista, é obviamente permitido escrever de modo errado como o personagem falaria. O diálogo realista não está apenas no vocabulário, mas também em hesitações, gaguejos, cacofonias, interrupções de pensamento, etc. Particularmente, acho exagero escrever exatamente como as pessoas dizem, como no exemplo, "QUÉ SABÊ? TÔ CAGANDO PRA ISSU!". Cabe ao ator fazer a caracterização perfeita e realista da linguagem do personagem.
No roteiro, o diálogo é escrito no centro da folha, com as margens mais estreitas e o nome do personagem todo em MAIÚSCULO. Para maiores informações consulte o guia de formatação Master Scenes contido neste mesmo site.
