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ESTUDOS SOBRE NARRATIVA .:. COMO EXPOR ADEQUADAMENTE

Os fatos que não ficam evidentes ao espectador através do desenrolar dos acontecimentos na tela, mas dos quais precisa estar ciente, são tratados por um artifício chamado exposição. Pode ser fatos que aconteceram no passado, antes do desenvolvimento da história; podem ser sentimentos, desejos, deficiências do personagem; ou ainda características específicas do local onde se passa a história.

O problema da exposição é que ela só é necessária ao espectador. Não é uma coisa que os personagens precisem saber no decurso da trama, pois provavelmente eles já sabem. Por exemplo, um personagem tem medo de altura. Todos os colegas desse personagem sabem que ele tem esse medo. No dia a dia, no cotidiano da história, esse medo de personagem não será citado, mas o espectador precisa ter conhecimento disto. Permitir que esse personagem falasse a qualquer momento eu tenho medo de altura, soará por demais artificial. Em outras palavras, o conteúdo das exposições, na maioria das vezes, revela aquilo que os personagens já sabem, só que o espectador também precisa ser informado para vivenciar plenamente a história e as ações. O uso da exposição deve ser usado com condimento, pois é um artifício mais narrativo do que dramático.

Uma exposição bem feita não deve parecer o que de fato é, ou seja, o espectador não deve perceber que aquilo foi uma exposição. Ernest Lehman, roteirista que trabalhou em diversos filmes de Hitchcock, dizia - Não deve parecer o que é na realidade. Os modos mais usados de fazer uma exposição são através de um conflito ou humor.

O grande Billy Wider usou narrações em Off (voice over), feita pelo personagem principal, em Crepúsculo dos Deuses e Pacto de Sangue. A narração em Off corresponderia ao coro das peças gregas ou ao narrador de um romance literário.

Às vezes, é necessário expor ao espectador um certo conteúdo que pode tornar-se "chato". Em Chinatown (roteiro de Robert Towne), há uma cena em que o protagonista Jake tem que descobrir quem é o dono de um terreno que se acha no centro do mistério. Jake vai ao registro imobiliário procurar essas informações em um imenso livro. Uma cena que pela primeira impressão seria "chata", mas fundamental para o desenvolvimento da história. Quando Jake pede o livro ao funcionário, estabelece-se um um conflito entre sua necessidade de ver os registros e a má vontade do funcionário de atendê-lo. Finalmente Jake consegue o livro e pede uma régua emprestada, para ajudar na leitura das letras miúdas. Esta régua foi um recurso para manter o espectador interessado na cena, pois não sabemos qual será sua utilidade. Jake usa a régua para cortar uma folha do livro de registros e espirra ao mesmo tempo para que o funcionário não perceba o que aconteceu. O espectador fica satisfeito com a cena e recebe todas as informações necessárias sem notar.

A exposição também pode ser feita pela ignorância do personagem a respeito de alguma coisa, como em Guerra nas Estrelas de George Lucas. O protagonista Luke Skywalker ouve o velho Ben Kenobi citar a respeito da Força (uma energia mística que envolve e penetra em tudo e todos). Como Luke desconhece o que é a Força, pergunta a Ben, que lhe explica sabiamente. É um modo menos sutil de apresentar uma exposição, que é válida somente quando há uma ignorância de um personagem a respeito de alguma coisa.

Seguindo as propostas do livro Teoria e Prática do Roteiro (David Howard e Edward Mabley) há quatro regras empíricas que deve se ter em mente ao lidar com a necessidade de uma exposição:

1. Elimine toda exposição que não for essencial ou que mais tarde, no decorrer da história, ficará clara.

2. Apresente a exposição considerada necessária em cena que contenham conflito e, se possível, humor.

3. Adie o uso do material expositivo sempre que for possível até um momento posterior da história e aí o transmita no momento de maior impacto dramático.

4. Use conta-gotas e não uma concha sempre que precisar apresentar a exposição necessária.

E eu incluo mais uma:

5. Considere o espectador com um ser inteligente, que percebe as coisas com facilidade. Portanto somente exponha o que o espectador jamais perceberá no decorrer da história.