Suponha que estamos vendo um homem caminhando até o seu carro estacionado diante do prédio onde mora. Não há nada de dramático nisso. Mas suponha que em algum momento anterior ficamos sabendo que há uma bomba no carro e, quando, ele dar ignição, irá explodir.
Quando nós, espectadores, sabemos de algo que o personagem na tela não sabe e essa informação pode causar risco ao sucesso do personagem, chamamos de ironia dramática.
Quando Romeu encontra Julieta aparentemente morta ao lado da tumba, nós sabemos que ela não está morta e experimentamos uma intensa sensação de esperança e medo no instante em que ele vai ingerir o veneno. Se nós, espectadores, estivéssemos pensando que ela está realmente morta, assim como Romeu pensa, a cena perderia toda sua dramaticidade.
Ironia dramática é um recurso usado em toda arte dramática. Pense na história de Édipo, por exemplo. Se não soubéssemos que o homem que Édipo matara era seu pai e a mulher com quem ele casara era sua mãe, quanta graça teria esses acontecimentos.
Muitas vezes o roteirista tem que escolher entre o artifício da ironia dramática e a surpresa, ou seja, entre deixar que o público conheça o segredo e surpreendê-los mais tarde, ou que um determinado acontecimento seja uma surpresa completa, algo inesperado para o público. Mas, acredito, que a ironia dramática é definitivamente um recurso muito mais forte e emocionante para o espectador que a surpresa total.
Você pode ler uma excelente comparação entre surpresa e ironia dramática elaborada pelo gordinho mestre do suspense no link Suspense & Surpresa.
