Diretor de cinema brasileiro, um dos criadores do Cinema Novo, que pretendia associar a influência dos documentários britânicos ao neo-realismo italiano (ver Cinema italiano).
Em 1953, trabalhou como assistente do crítico e diretor Alex Viany. Neste mesmo ano filmou Rio, 40 graus e, em 1957, Rio, zona norte. No primeiro mostrava, com intenso realismo, os mais diversos aspectos da cidade e sua população mais humilde, inaugurando uma nova forma narrativa no cinema brasileiro. Entusiasmado pela nouvelle vague francesa, abordou os problemas de seu país a partir de uma perspectiva realista. Inovou o cinema ao propor um novo tipo de produção, em que incluía fotógrafos, compositores e toda uma equipe de profissionais especializados, numa espécie de cooperativa.
Sua maior contribuição ao Cinema Novo foi o filme Vidas Secas (1963), baseado em um romance de Graciliano Ramos. O filme foi rodado no sertão, em região pouco povoada do Estado de Alagoas, na qual fotografou, com intenso realismo, as marcas da miséria da população. Em 1968, iniciou a fase ‘antropofágica’ do cinema com Fome de amor (1968) e Como era gostoso o meu francês (1971). Com A tenda dos milagres (1977) foi premiado no Festival de Brasília. Considerado um dos melhores filmes do cinema brasileiro, nele o cineasta analisa ironicamente os valores dos brancos e da classe média brasileira; a cultura negra aparece representada pela sensualidade, espontaneidade lúdica e ingenuidade. Em O amuleto de Ogum (1974) retrata a religião negra da Umbanda como ponto e referência cultural. Em Memórias do cárcere (1981), o diretor faz nova parceria com Graciliano Ramos. Escreveu também obras para a televisão, na mesma linha realista de seus filmes.
